Como Surgiu a cidade do Rio de Janeiro ?
* Beatriz Albernaz
* Mestre em educação e Doutora em Literatura; é professora do Curso Normal Superior do Instituto de Educação do Rio de Janeiro e bolsista da FAPERJ, na Casa de Rui Barbosa, onde desenvolve pesquisa na área educativa do Museu.

Era uma vez um lugar lindo que se tornou uma cidade maravilhosa... A história do Rio de Janeiro pode ser contada de várias maneiras e muitos poderiam ser os seus narradores. Muita gente acha que saber história é decorar nomes e datas. Pode ser que isso seja importante, mas a primeira coisa a entender é que o passado está relacionado com o presente e tudo isso tem a ver com o futuro.
Pense no índio que morava às margens da calma enseada que hoje se chama Baía da Guanabara. Um dia, ele viu surgir, lentamente, do horizonte, caravelas antigas, cheias de velas, de mastros, de cordas e com um desenho estranho num pano que batia ao vento – a bandeira. E, quando essas embarcações enormes jogaram suas âncoras e delas começaram a desembarcar pequenos barcos e muitos homens barbudos todos cobertos de panos (as roupas), o que será que esse índio sentiu? O que ele viu e sentiu talvez seja a mesma sensação que hoje teríamos se víssemos uma nave espacial se aproximar de nossa casa.
Mas aqueles homens não eram extraterrestres, eram os portugueses. Depois deles – que vieram e logo partiram – chegaram outras embarcações, outros homens: os franceses. Os índios devem ter custado muito a entender o que eles queriam. “Por que vocês querem tantos paus?”, deve ter perguntado um deles para um barbudo daqueles, que talvez tivesse aprendido a sua língua. Era estranho, afinal. Como os índios iriam saber que, daquelas árvores, os brancos extraíam um corante que tingia seus tecidos com um tom lindo de vermelho? Como iriam saber que aqueles franceses eram comerciantes e vendiam “aqueles paus” para outros comerciantes em seu país de origem? Mesmo sem entender, os índios aceitavam a troca e entregavam quantidades enormes de pau-brasil para os franceses por um monte de espelhos, miçangas e outras coisas desconhecidas pelos habitantes dessa terra.
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