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    Entrevista com Ana Lígia Medeiros

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    Por Maurício Tambasco

    Ana Lígia Silva Medeiros é a diretora do Centro de Memória e Informação da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB). Doutora em Ciência da Informação, formou-se no IBICT/UFRJ. Com vasta experiência, essa dedicada e competente profissional contou sobre seu trabalho e também um pouco de sua vida pessoal, em uma entrevista exclusiva - a seguir:

    - A senhora passou por quais outros órgãos ou entidades antes de trabalhar na Fundação Casa de Rui Barbosa?
     
    - Atuei de 2014 a 2015 na Biblioteca Nacional, como diretora e também nas Bibliotecas do Estado do Rio de Janeiro, de 1987 a 2009, além de ter sido vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura do Estado do Rio. Entrei para a FCRB em 2002 e sou diretora desde 2015.
     
    - E quais os projetos já implantados na Casa?
     
    - Foi feita uma grande obra no jardim, que estava tremendamente deteriorado. Recuperamos também a sacada, para a FCRB voltar a ter o brilho de antes. Havia problemas sérios, inclusive na fachada do prédio, que foram sanados. Agora nós vamos atacar a parte de dentro que precisa de reforma urgente, principalmente no piso e no telhado.
     
    - E na área tecnológica? O que houve de avanço?
     
    - Não dá para pensar em acervo de patrimônio que não tenha mídia digital. Em 2017, no Seminário Tecnologia e Cultura, no auditório da FCRB, foi lançado o Repositório Rui Barbosa de Informações Culturais, o Rubi. Em relação ao acervo institucional, os documentos abrangem produção de pesquisa da Casa nas áreas de História; Direito; Filologia e Biblioteconomia, por exemplo. A busca do sistema do Rubi pode ser feita por autor; título; setor ou data. 
     
    - O que mais contém o repositório (Rubi)?
     
    - Tem ainda uma memória de todos os eventos da Casa que estão em meio digital. No caso específico das obras raras, somente uma pequena parte se encontra no Rubi, já que o acervo contém mais de 100.000 livros e documentos. Essa plataforma digital é para democratizar o acesso aos dados produzidos pela instituição. E está disponível, inclusive para cópias. Serve, ainda, como uma oportunidade para divulgar os trabalhos de pesquisa e produção de conteúdo da FCRB. O endereço eletrônico é rubi.casaruibarbosa.gov.br.
     
    - E essa imensa e rica Biblioteca da FCRB? Fale um pouco sobre ela para o público que aprecia Literatura.
     
    - A biblioteca aqui tem uma climatização à parte. E dispõe de 33 mil exemplares aproximadamente. Ela foi sendo ampliada através de doações. Por conta disso, foi criada um outro espaço chamado de Biblioteca Complemento. Ela se divide como se fosse um polvo, com vários tentáculos. Rui Barbosa gostava muito de ler para os netos, então foi feita a Biblioteca Infantil Maria Mazetti. Temos ainda a Biblioteca São Clemente, que é um grande apanhado de vários projetos e o Acervo dos Cordéis. Estes são uma preciosidade: temos cerca de 10.000 exemplares, são números bem expressivos. Em 2019 foram digitalizados 7.000 e poucos cordéis.
     
    - Como funciona o setor do Centro de Memória da FCRB?
     
    - Ele é composto pelo Museu da Casa de Rui Barbosa; livros e pelo jardim. Só esse trio já forma um atendimento. Depois ainda tem o Setor de Biblioteca; o Arquivo Histórico; o Núcleo de Arquitetura; o Instituto Museu de Literatura Brasileira e o Setor de Preservação. Ano passado nós montamos um Laboratório de Humanidades Digitais, que está na moda atualmente. Mexemos com as coisas dos programas que vamos usar para patrimônio. E ainda temos o Rubi, que também é um produto interligado. Outro projeto já implantado é a revista eletrônica, dentro do padrão internacional - como todos os outros.
     
    - E os estudos sobre Rui Barbosa? Como continuam sendo realizados?
     
    - Temos a parte mais histórica e também o acervo da instituição. Foi criado um Serviço Eletrônico de Informação, o SEI, que controla todos os processos aqui na Casa de Rui Barbosa - sempre obedecendo a uma norma do Governo Federal. Consideramos o SEI como sendo o "coração da Casa".
     
    - O que a senhora costuma fazer nos momentos de folga?
     
    - Gosto de estudar, leio livros sobre História Antiga, por exemplo. Sabia que na Roma Antiga já existiam bibliotecas maiores do que as que temos hoje aqui no Rio de Janeiro? Eram grandes complexos e na maioria das termas de lazer havia uma biblioteca. Para que as pessoas, após o banho, fossem passear no jardim e visitassem as bibliotecas.
     
    - E com relação ao seu lazer em particular? 
     
    - Costumo ir ao cinema ou ao teatro e também gosto de ir à praia. Toda vez que posso eu vou com minha família, que é bem estruturada. Ainda tenho dois cachorros e três gatos em casa, além das minhas plantinhas. Moro em Botafogo, perto do trabalho e sou do signo de Gêmeos. 
     
    - Voltando então ao trabalho, fale de algum projeto para este ano de 2020 que está começando.
     
    - Estamos nos preparando para uma coisa importante que é a construção de um prédio anexo, o do Centro Cultural e de Preservação da Fundação Casa de Rui Barbosa. Será um imóvel perfeito para abrigar o acervo com todas as medidas de segurança; controle; refrigeração etc. Estamos trabalhando de acordo com as coordenadas da nossa presidente, Letícia Dornelles, para reavivar a memória do escritor Rui Barbosa.
     
    - Para finalizar, conte algum fato curioso que a senhora tenha presenciado ou participado na FCRB.
     
    - Em 2017 ocorreu uma infiltração em um ar condicionado dentro de um depósito e começou a sair muita água. Era um domingo e fomos chamados em casa para ajudar. Passamos um tempão salvando os livros com a água cobrindo nossos pés, auxiliando um agente da Brigada de Incêndio da FCRB.  E depois de termos patinado muito naquele aguaceiro, descobrimos que poderíamos ter morrido eletrocutados: As tomadas ficavam no chão e a energia não foi desligada. Isso poderia ter sido fatal para, pelo menos, três pessoas, mas graças a Deus isso não aconteceu. E, no fim, ainda conseguimos salvar muitas obras literárias de grande valor.
     
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