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Lúcio Cardoso
Lúcio Cardoso :: Biografia

Manuel Bandeira na rede, década de 1920Joaquim Lúcio Cardoso Filho nasceu em Curvelo, Minas Gerais, a 14 de agosto de 1912 e faleceu em 28 de setembro de 1968, na Clínica DoutorEiras,Riode Janeiro, vítima de derrame cerebral. Era filho de Joaquim Lúcio Cardoso e de Maria Venceslina Cardoso. Em 1913, transferiu-se com a família para Belo Horizonte, onde passou sua primeira infância e fez os estudos elementares no Grupo Escolar Barão do Rio Branco. Em março de 1923, a família muda-se para o Rio de Janeiro, e LC foi matriculado no Instituto Lafayette. No ano seguinte retorna à capital mineira, a fim de complementar estudos no Colégio Arnaldo. Em 1929, retorna ao Rio de Janeiro. Apesar de ser considerado um péssimo aluno, lia tudo que lhe caía às mãos: a obra de Eça de Queirós, os romances de Conan Doyle, os contos de Hoffmann. Desta época data a sua primeira experiência de dramaturgo, a peça Reduto dos Deuses, que mereceu elogios de Aníbal Machado, e, segundo o próprio LC, era "pretensiosa e anarquista".

Matriculado no Instituto Superior de Preparatórios, liga-se a Nássara e José Sanz. Com este último redige o jornal A Bruxa, no qual publica novelaspoliciais. Além dos romancistas russos, começou a ler Oscar Wilde e Lesage, entre outros.

Inicia então suas experiências como romancista e faz publicações em jornais. Conhece Augusto Frederico Schmidt, que possuía uma editora instalada no mesmo prédio em que LC trabalhava, na Companhia de Seguros A Equitativa.

Em 1932, conheceu Santa Rosa com quem fundou a Sua Revista, da qual publicou somente um número.

Em 1934, editou Maleita, muito bem recebido pela crítica, em especial a do temido Agripino Grieco.

Por causa do assunto de seu primeiro romance foi agrupado entre os regionalistas; entretanto, sua produção tem muito mais afinidade com o grupo "espiritualista" de Cornélio Pena, Schmidt, Otávio de Faria, Vinicius de Morais.

Em 1935, publicou Salgueiro, romance de cunho social bem ao gosto da época e, no ano seguinte, A Luz no Subsolo, que mereceu elogiosa carta de Mário de Andrade. A este se seguiram diversos volumes de novelas e poesias, além de romances, atingindo sua obra o clímax com Crônica da Casa Assassinada (1959).

Em 1961, publica Diário I (1949 a 1951), ao qual iriam seguir-se os volumes II a V, que ficaram na intenção, pois em 1962 sofreu um derrame cerebral, o primeiro, que o incapacitou de escrever. Otávio de Faria organizou para a José Olympio o Diário II (1952 a 1962) que juntamente com o I, foi publicado postumamente (1970) sob o título Diário Completo.

Lúcio Cardoso costumava dedicar-se à pintura e ao desenho como elemento subsidiário à função literária. Concebia plasticamente os cenários de suas peças, a feição de suas personagens e os locais em que se desenrolava a ação dos romances. Depois que foi atingido pelo derrame, encontrou na pintura outro meio de expressão.

Lúcio Cardoso realizou quatro exposições individuais em galerias de arte do Rio de Janeiro - Goeldi (1965) e Décor (1968) -, e de São Paulo - Atrium (1965). Em Belo Horizonte, no Automóvel Club de Minas Gerais (1966).

Em 1966 recebeu o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, por conjunto de obra.

LC dedicou-se com empenho às artes cênicas, como autor, roteirista e produtor. Fundou um teatro de câmara, sediado na Tijuca, onde lançava suas peças com o auxílio de grandes nomes como, entre outros, os de Henriette Morineau, Sérgio Brito, Ítalo Rossi. Estendeu concomitantemente esta atividade à televisão e ao cinema, tendo sido importante sua contribuição para o Cinema Novo.




Manuel Bandeira em 1954.